{"id":355,"date":"2016-08-03T17:34:39","date_gmt":"2016-08-03T20:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.meet.com.br\/?p=73"},"modified":"2016-08-03T17:34:39","modified_gmt":"2016-08-03T20:34:39","slug":"acv-na-industria-um-processo-de-evolucao-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.meet.com.br\/index.php\/2016\/08\/03\/acv-na-industria-um-processo-de-evolucao-sustentavel\/","title":{"rendered":"ACV na Ind\u00fastria: um processo de Evolu\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Todo processo evolutivo necessita de adapta\u00e7\u00f5es ao longo de um determinado per\u00edodo. A palavra \u201cvida\u201d sempre nos remete a uma id\u00e9ia de tempo. Ao dividirmos o TEMPO em passado, presente e futuro, podemos afirmar que no presente existe uma tend\u00eancia de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre SUSTENTABILIDADE que poder\u00e1 garantir a pr\u00f3pria \u201cVIDA\u201d no espa\u00e7o de tempo futuro. A metodologia de Avalia\u00e7\u00e3o do Ciclo de Vida (ACV)por sua vez, sugere que tudo o que ocorre dentro deste espa\u00e7o de tempo (do nascimento at\u00e9 a morte), ocorre de maneira c\u00edclica, com repeti\u00e7\u00e3o sucessiva de algumas etapas em certa ordem. A Sustentabilidade faz parte do processo evolutivo na qual as ind\u00fastrias devem se adaptar com a revis\u00e3o de conceitos sobre a forma de pensar e agir de modo a tomar decis\u00f5es ambientalmente corretas, socialmente justas, culturalmente aceitas e economicamente vi\u00e1veis. Este estudo aborda, de forma simplificada, uma vis\u00e3o de aplica\u00e7\u00e3o da metodologia de ACV ( ambiental, social e econ\u00f4mica) na Ind\u00fastria de modo a contribuir no processo de evolu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<br \/>\nA metodologia de Avalia\u00e7\u00e3o do Ciclo de Vida \u00e9 uma poderosa ferramenta para a avalia\u00e7\u00e3o da sustentabilidade de produtos e servi\u00e7os uma vez que pode ser aplicada nas dimens\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, sociais e econ\u00f4micos. No entanto, um dos principais obst\u00e1culos para o uso desta ferramenta \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de dados em um n\u00edvel de qualidade aceit\u00e1vel, respeitando as devidas fronteiras: regional, temporal e tecnol\u00f3gica. O mesmo produto pode ser considerado sustent\u00e1vel se produzido em uma determinada regi\u00e3o e em outra, n\u00e3o, por exemplo. O grau de confiabilidade nos resultados apresentados na avalia\u00e7\u00e3o da sustentabilidade de um produto \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 qualidade dos dados utilizados na fase de an\u00e1lise dos invent\u00e1rios, sejam eles invent\u00e1rios ambientais, sociais ou econ\u00f4micos.<br \/>\nQuando uma ind\u00fastria deseja saber se seu produto \u00e9 sustent\u00e1vel com o uso da metodologia de Avalia\u00e7\u00e3o do ciclo de vida, normalmente ela tem dois caminhos a seguir:<br \/>\n1)enviar formul\u00e1rios para seus fornecedores ou<br \/>\n2)fazer uso de bases de dados de invent\u00e1rios do ciclo de vida.<br \/>\nNa primeira op\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum se deparar com respostas do tipo \u201c estes dados n\u00e3o podemos fornecer pois s\u00e3o dados confidenciais da empresa\u201d. J\u00e1 na segunda op\u00e7\u00e3o, indicadores de qualidade dos dados, como os sugeridos por Finnveden (1998),  e \u00edndices de  incerteza e completeza devem ser avaliados como os sugeridos por Weidema (1996) em sua Pedigree Matrix. Esta dificuldade foi a raz\u00e3o do projeto \u201cGerman network on LCl-data\u201d descrito por Lewandowska (2004). <\/p>\n<p>Este estudo aborda a import\u00e2ncia da mudan\u00e7a comportamental da ind\u00fastria de modo a garantir maior confiabilidade nos dados de execu\u00e7\u00e3o de uma avalia\u00e7\u00e3o do desempenho ambiental, social e econ\u00f4mico por todo o ciclo de vida de um produto, podendo assim contribuir para a mensura\u00e7\u00e3o da sustentabilidade do mesmo.<\/p>\n<p>METODOLOGIA<br \/>\nA metodologia empregada para a realiza\u00e7\u00e3o deste artigo compreende na consulta a v\u00e1rias fontes de literatura pertinentes ao tema em conformidade com as normas ISO 14040 e ISO 14044 que sugerem primeiramente a quantifica\u00e7\u00e3o de todos os aspectos ambientais relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de um determinado produto por todo o ciclo de vida, em um sistema de an\u00e1lise de invent\u00e1rio, para a posterior avalia\u00e7\u00e3o do impacto ambiental, podendo tamb\u00e9m ser aplicada em termos econ\u00f4micos atrav\u00e9s do LCC ( life cycle costs) e em termos sociais atrav\u00e9s do SLC ( SOCIETAL LIFE CICLE), conforme sugerido por Hunkeler (2005).<\/p>\n<p>RESULTADOS E DISCUSS\u00c3O<br \/>\nSegundo Jensen (2010), toda forma de gerenciamento industrial est\u00e1 diretamente relacionada ao processo de tomada de decis\u00e3o que termina em uma a\u00e7\u00e3o de implementa\u00e7\u00e3o que busca a persuas\u00e3o sobre os resultados alcan\u00e7ados.<br \/>\nNa busca pela sustentabilidade, a sociedade como um todo ganhou um novo papel: o papel de STAKEHOLDER e, como principal parte interessada, come\u00e7a a adotar crit\u00e9rios de desempenho nas dimens\u00f5es ambiental, social e cultural em conjunto com crit\u00e9rios econ\u00f4micos na hora de escolher o produto a ser consumido, ou seja, para que um produto cumpra a sua fun\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio ir muito al\u00e9m de satisfazer o conjunto de caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas ou de possibilidades de atua\u00e7\u00e3o do mesmo. Dentro de um conceito muito mais abrangente para o termo \u201cdesempenho\u201d, a industria conta com a inova\u00e7\u00e3o para a diferencia\u00e7\u00e3o de seu produto.<\/p>\n<p>&#8220;Innovation can be systematically<br \/>\nmanaged if one knows where and how<br \/>\nto look and it is impossible to manage<br \/>\nwhat you can not measure&#8221;. Druker (1998) <\/p>\n<p>Apesar do m\u00e9todo de avalia\u00e7\u00e3o do ciclo de vida estar gradualmente se tornando  difundido para que a ind\u00fastria incorpore o fator ambiental no processo produtivo de seus produtos, informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre o processo ( entradas de material e energia e sa\u00eddas de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas, efluentes l\u00edquidos e res\u00edduos s\u00f3lidos) n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis na forma de invent\u00e1rio para uso e gerenciamento  (CONCEPTI\u00d3N, 2000).<br \/>\nDe acordo com Tillman; Baumann (1995), um estudo de ACV pode ser dividido de acordo com os limites que indicam onde o ciclo de vida se inicia e termina em rela\u00e7\u00e3o ao meio natural. Desta forma, enquanto um estudo do tipo &#8220;cradle to grave&#8221; aborda todas as etapas do ciclo de vida, estudos do tipo &#8220;cradle to gate&#8221; englobam os aspectos desde a extra\u00e7\u00e3o e beneficiamento dos recursos naturais, incluindo os aspectos de fabrica\u00e7\u00e3o dos produtos intermedi\u00e1rios (insumos), produ\u00e7\u00e3o de energia ( el\u00e9trica e combust\u00edveis utilizados no transporte) at\u00e9 o port\u00e3o da f\u00e1brica do produto em quest\u00e3o, ou seja, aborda inclusive o &#8220;gate-to-gate&#8221; da empresa. J\u00e1 a abordagem &#8221; gate-to grave&#8221; aborda as etapas de distribui\u00e7\u00e3o, uso e disposi\u00e7\u00e3o final do produto,como pode ser melhor visualizado na Figura 1 a seguir:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.meet.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/FIG1_ARTIGO_CILCA.jpg\" alt=\"figura do artigo apresentado no CILCA2011\" \/><br \/>\n         Figura 1: Formas de abordagem de uma ACV (Fonte: elabora\u00e7\u00e3o da autora)<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<br \/>\nComo estamos falando que a sustentabilidade de um produto depende de seu desempenho ao longo do ciclo do vida, \u00e9 imprescind\u00edvel que toda ind\u00fastria fa\u00e7a o monitoramento peri\u00f3dico de seus invent\u00e1rios ambiental, social e econ\u00f4mico em uma fronteira \u201cgate-to-gate\u201d.  Com este monitoramento peri\u00f3dico, \u00e9 poss\u00edvel administrar todos os aspectos ambientais, sociais e econ\u00f4micos dentro de uma fronteira temporal de um ano, por exemplo. Estes s\u00e3o os dados confidenciais, que n\u00e3o devem sair da empresa mas devem ser objeto de monitoramento constante.<br \/>\nSe partirmos do princ\u00edpio de que todo estudo de avalia\u00e7\u00e3o do ciclo de vida \u00e9 feito para um determinado \u201csistema de produto\u201d e que todo \u201csistema de produto\u201d \u00e9 formado pelo conjunto de \u201cunidades de processo\u201d e que cada \u201cunidade de processo\u201d nada mais \u00e9 do que um invent\u00e1rio \u201cgate-to-gate\u201d, podemos concluir que, a partir do momento em que toda ind\u00fastria monitorar o seu pr\u00f3prio gate-to-gate, a probabilidade de realiza\u00e7\u00e3o de estudos de Avalia\u00e7\u00e3o da Sustentabilidade de produtos de forma confi\u00e1vel e consistente, obedecendo-se as devidas fronteiras geogr\u00e1fica, tecnol\u00f3gica e temporal, aumentar\u00e1 significativamente.<br \/>\nEsta afirma\u00e7\u00e3o  \u00e9 v\u00e1lida a partir do momento em que, em um futuro pr\u00f3ximo, toda empresa seja obrigada a fornecer junto com seu produto o respectivo invent\u00e1rio \u201ccradle to gate\u201d que pode ser denominado de  SPDS (Sustainable Product  Data Sheet), da mesma forma que um MSDS \u2013 Material Safety Data Sheet), na qual, os dados consolidados (com a inclus\u00e3o dos aspectos relativos a energia do combust\u00edvel empregado no  transporte , produ\u00e7\u00e3o e uso de energia el\u00e9trica, assim como aspectos referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dos insumos utilizados no processo produtivo) deixam de ser confidenciais e passam a ser parte integrante do invent\u00e1rio \u201ccradle to gate\u201d do produto produzido pelo seu cliente, formando assim um ciclo, como pode ser observado na Figura 2 a seguir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.meet.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/FIG2_ARTIGO_CILCA.jpg\" alt=\"figura do artigo apresentado no CILCA2011\" \/><\/p>\n<p>         Figura 2: Invent\u00e1rio cradle to gate ( PSDS )(Fonte: elabora\u00e7\u00e3o da autora)<\/p>\n<p>Neste caso, \u00e9 poss\u00edvel avaliar o n\u00edvel de completeza do invent\u00e1rio \u201ccradle to gate\u201d a partir da fonte de dados ( dados prim\u00e1rios, enviados pelo fornecedor ou dados secund\u00e1rios oriundos de base de dados) e obter maior consist\u00eancia de resultados na fase de avalia\u00e7\u00e3o de impactos ambientais, sociais e econ\u00f4micos e conseq\u00fcente avalia\u00e7\u00e3o da sustentabilidade. Desta forma, toda ind\u00fastria entrar\u00e1 no processo de EVOLU\u00c7\u00c3O SUSTENT\u00c1VEL.<\/p>\n<p>DADOS SOBRE A AUTORA<br \/>\nRita de C\u00e1ssia Monteiro Marzullo<br \/>\nrita.monteiro@alumni.usp.br<br \/>\nLaborat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do Ciclo de Vida<br \/>\nInstituto de Energia e Ambiente<br \/>\nUniversidade de Sao Paulo (IEE\/USP)<br \/>\nArtigo apresentado na forma de poster no CILCA 2011 em Coatzacoalcos- M\u00e9xico<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es em<br \/>\n<a href= \"http:\/\/www.meet.com.br\">www.meet.com.br<\/a><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.meet.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/alquimia95-300x225.jpg\" alt=\"alquimia95\" width=\"800\" height=\"601\" class=\"alignnone size-medium wp-image-238\" \/><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.meet.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/cilca.jpg\" alt=\"logotipo de CILCA2011\" \/><\/p>\n<p>REFERENCIAS <\/p>\n<p>CONCEPTI\u00d3N J.-G.and Kim and  Overcash, Methodology for developing gate-to-gate Life cycle inventory information &#8211;<br \/>\n2000, Int. J. LCA 5 (3) 2000 , Volume 5, Number 3, Pages 153-159<\/p>\n<p>DRUCKER, P. &#8211; The Discipline of Innovation &#8211; Harvard Business Review &#8211; Reprint 98604 &#8211; december 1998 &#8211; available in http:\/\/cobweb2.louisville.edu\/faculty\/regbruce\/bruceintl\/\/drucker.pdf<\/p>\n<p>FINNVEDEN, G. and Lindfors, L.G. &#8211; Data Quality of Life Cycle Inventory Data- Rules of Thumb &#8211; Letters to the Editor &#8211; Int. J. LCA 3 (2) 1998<\/p>\n<p>HUNKELER, D. and  Rebitze, G.- The Future of Life Cycle Assessment &#8211; Int J LCA 10 (5) 2005 , Volume 10, Number 5, Pages 305-308<\/p>\n<p>JENSEN, H. S. (2010) &#8220;Management \u2013 decision and interpretation&#8221;, Journal of Organizational Change Management, Vol. 23 Iss: 2, pp.134 &#8211; 136<\/p>\n<p>WEIDEMA B.P, Wesnaes MS (1996): Data Quality Management for Life Cycle Inventories &#8211; An Example of Using Data Quality Indicators.<br \/>\nJournal of Cleaner Production 4 (3-4) 167-17<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo processo evolutivo necessita de adapta\u00e7\u00f5es ao longo de um determinado per\u00edodo. A palavra \u201cvida\u201d sempre nos remete a uma id\u00e9ia de tempo. 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